Missionários Voluntários

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Este é o blog de nossa Igreja, aqui você vai encontrar testemunhos, pedidos de oração, agradecimentos, imagens e arquivos para download.

3

dez
2009

Hospital Adventista do Kanye

Este hospital onde estamos gravando fica na cidade de Kanye, à 90 km da capital, Gaborone. São cerca de 40 mil habitantes que desfrutam do atendimento do hospital fundado por missionários americanos em 1922. Moderno e bem estruturado, recebe muita verba do governo, para atender gratuitamente a população carente. Os médicos quase todos são de países vizinhos, como Quênia, Tanzânia, e outros. Estou na casa de uma médica do Congo. Enfermeiros, ao contrário, tem às pencas, pois há uma escola de enfermagem anexa ao hospital, salvo  exageros são mais de 6 enfermeiras por médico e elas dão conta de tudo, sem obedecer muito às ordens superiores. Aliás, isto foi algo que me impressionou um tanto. Este negócio de autoridade é bem relativo por aqui e não se manda ou obedece somente pelo título. Difícil explicar, porque é difícil entender. Uma ordem não é exatamente tida com ordem e se faz o que quer, na hora em que se quer. É o que tenho visto no hospital. Até as faxineiras aqui ganham melhor que nos outros países que fui. O salário delas está em 600 e mil dólares, enquanto a maioria da população no Malawi e Moçambique sobrevive com média de 100 dólares ao mês. Só aí dá pra sentir a diferença. Estamos comendo a comida dos pacientes, todos os dias e como é boa! Tem uma carne vegetal aqui que é um espetáculo. Aliás, tudo na comida aqui é de primeira: melhores sucos, cereais, carnes vegetais e biscoitos. Só frutas que sinto falta, pois é caríssimo! Água, se não é comprada, tem que ter umas gotinhas de água sanitária para garantir, eca! O pátio está cheio de carrões e caminhonetes, pois o governo dá uma quantia generosa ao hospital e tem que comprar coisas para o patrimônio, senão é necessário devolver. Sei lá porque cargas d'água eles compram carrões e até caminhão, sem nem ter gente para dirigir. Sobra dinheiro, mas falta noção de administração em muitos aspectos. Embora os missionários sejam necessários e benéficos nesta troca de experiência, uma decepção: não são tão bem vistos assim. Mesmo os africanos de outros países que vem pra cá. Muito fechados, os Motswanas, como são chamados os que nascem aqui, não são amigáveis e sociáveis como o povo mais pobre que conheci na África. Os missionários daqui, Alexis (Chile) e Giannina (Argentina) são os únicos brancos do hospital e não desfrutam de vibrantes amizades. Desculpem o desapontamento, mas vida de missionário voluntário é assim, sem pátria e muitas vezes sem amigos também.

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3

dez
2009

Botswana, riqueza na África

Aos poucos fui desconstruindo alguns mitos que tinha em relação ao continente africano. E eram muitos! A imagem de seca, miséria e pobreza absoluta é verdadeira em alguns países, mas em outros o contraste é nítido. Um dos mitos era em relação ao calor. Gente, no inverno os africanos sofrem com o frio feroz de alguns países. O outro mito, em relação ao desenvolvimento e riqueza começou a ser quebrado na chegada a Botswana, um paizinho de 1,8 milhões de pessoas, ao norte da África do Sul. Banhado em diamantes e controlado por uma política eficiente a partir dos anos 1960, ele saiu da lista dos mais miseráveis para o topo dos mais ricos. A republica presidencialista se tornou acionista majoritária na rentável extração de diamantes e no norte do pais existem os maiores do mundo. O dinheiro, ao invés de gerar guerras e mortes, como em Serra Leoa, por exemplo, serviu para impulsionar a educação e o consumo. Aqui também se criam gados para corte, mas a terra desértica não permite maiores arroubos na agricultura. Indústria? Não, tudo bem da África do Sul e aí começam os problemas. Já foi anunciado que a extração dura apenas dez anos mais e não se vê nenhum movimento solido no sentido de estruturar a economia para depois que as pedras preciosas se acabarem e o povo gasta! Talvez a falta de expectativa de vida seja um dos motivos de falta de planejamento para o futuro. Sim, pois ser rico não é sinônimo de ser inteligente, pro-ativo ou mesmo abençoado. Vamos aos detalhes sórdidos agora. Hoje, em percentual, Botswana é o pais africano com maior índice de Aids. O Malawi, que tinha mencionado antes, tem números maiores, mas por conta da população dez vezes maior. Aqui mais de 40% da população é soropositiva e a expectativa de vida passa um pouco dos 40 anos, já que as doenças associadas vêm junto.  O governo bem que tenha com campanhas educativas ajudar na prevenção, mas quem é que muda a cabeça do outro assim, só por querer? Hoje mesmo no hospital ouvimos que não tem mais vacina para meningite, um dos sérios problemas de saúde aqui, agravada pelo HIV. E os estupros? Muitos e diariamente, assim como os abortos. Hoje mesmo vi dois. E embora os médicos não possam dizer, com fortes indícios de ter começado em casa, por conta própria. Uma das mulheres veio andando e acabou de tirar o feto, de cinco meses, aqui no hospital. Correndo risco de morte, foi levada às pressas para a cirurgia. Nem acreditei em mim mesma, mas fotografei o bebê morto! Miséria humana independe de dinheiro.

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25

nov
2009

Chorei

Descobri que muita miséria é anestesiante. Explico: à primeira vista tudo te choca, te constrange e promove um imenso rebuliço sentimental e caridoso. Depois de tanto olhar, é como se aquilo realmente fosse muito normal. As casas das pessoas têm um arremedo de cama com folhas de bananeira ou outra coisa como tentativa de colchão e quando muito mais uma cadeira. Só! É, só isto mesmo. Fora ou dentro eles têm uma espécie de fogão com carvão onde fazem sua pobre comida de cada dia. Televisão? Esquece. Roupas somente as que doam e não importa o tamanho do doador e do receptor, servirá. Aí você vê tanto disso que realmente acha normal viver assim, mas teve algo que me chocou. Na segunda-feira fomos filmar o trabalho do Fernando em várias áreas do hospital e voltamos à ala pediátrica informal. É uma tenta doada que serve para quartos, quando o hospital está muito cheio o que vai começar a acontecer, ainda mais por conta do período de chuvas, que faz a malária ser a doença número um. No dia anterior eu tinha visto uma criança muito pequena, com desnutrição, sozinha lá. Aquilo me deixou meio abatida, mas na segunda foi pior. Ao chegar, um enfermeiro estava dando uma aula para cerca de 10 mães, sobre cuidados de higiene para os bebês e fui direto à cama do dia anterior para ver o bebê. Ele estava imóvel, cheio de moscas na boca, nariz e olhos. Gritei pelo médico e abanei as moscas. Não, o bebê não estava morto. Ainda. A mãe então veio ver o que acontecia e pegou a esquálida menina de três meses, mas que parecia recém-nascida. Colocou seus peitos murchos em sua boca faminta e eu não podia crer que aqueles seios podiam ter glândulas mamárias, tão pouco leite. A boquinha da criança fazia sulcos ao tentar sugar algo inexistente. Desabei a chorar. Não aguentei a miséria humana e me retirei para sentir aquela dor sozinha. Com ajuda do enfermeiro, o triste relatório: os pais da criança eram soropositivos, o bebê também. A desnutrição da mãe e dela faziam com que definhasse ao invés de crescer como se espera de uma criança aí já estavam tentando dar comida para ver se reagia e tinha alguma chance a mais de sobrevida. Na minha ignorância perguntei: mas não dão leite Nan? Gargalhada dos médicos. Hello, It's África! É,  não tem leite especial para recém-nascidos, não tem nem comida para os doentes. Há apenas um barracão aos fundos do hospital onde as mulheres precariamente preparam a comida para seus amados doentes.  O que mais me chocou foi a falta de perspectiva de vida, da criança ainda mais. Ela mal tinha chance de lutar para sobreviver.

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25

nov
2009

Sobrevivência

Não consigo entender algumas coisas aqui, por mais que me expliquem. As pessoas aceitam ser servas das outras que consideram superiores e simplesmente não lutam por algo mais. É incrível. A cabeça é diferente, é mais que cultura. Existem enormes campos verdes, terras férteis e não se vê plantações de comida. Somente o chá dos estrangeiros. É possível plantar soja, feijão e o que mais precisarem, mas não o fazem. O Malawi é lindo, gente, lindo  mesmo! E as pessoas são miseráveis, sem precisar ser. Uma coisa me chamou a atenção num vilarejo: uma casa com a placa para recarregar celular. Não existe energia elétrica fácil por ali, mas uma galera tem celular. Eita globalização. Só que não têm onde carregar e pagam um local onde podem obter energia. No mercado, bem bonito por sinal, quase tudo vem da África do Sul, país vizinho, pois não há indústrias significativas no Malawi e de alimentos então, no way! A educação é precária, mas algumas pessoas fazem uma diferença aterradora. Conheci um paciente do hospital, senhor Gerald Campbell que me deixou fascinada. Há 13 anos ele vive no país e há 12 montou um grande orfanato, usando uma base militar abandonada. Conseguiu algum apoio do governo, pediu doações e prosseguiu. Lá ele cuida atualmente de 115 jovens de 4 a 20 anos que recebem comida, educação técnica, ensino de inglês e muito carinho. Cada criança, com educação e tudo, custa cerca de 70 dólares por mês e ele vai atrás do dinheiro. Era um executivo de marketing do All Mart e largou tudo nos EUA para fazer isto aqui. Hoje seus "filhos" são técnicos, professores, conheci um mestre em educação e outras tantas profissões. O lugar é feio e pobre, mas é o oásis para quem perdeu a família para a Aids. A bondade do senhor Campbell torna aquela pobreza linda. Quando perguntei por que ele tinha largado tudo no seu país para viver ali, daquela forma, por gente que nem conhecida era ele calmamente e com um largo sorriso respondeu: primeiro, porque sou cristão e Cristo me pediu para amar e ajudar ao meu semelhante, está na Bíblia, pode olhar. Depois porque eu posso ajudar de alguma forma então deque valerá minha vida aqui se não tiver feito o bem para alguém e tiver vivido só pra mim? Minha dor pelo soco no estômago que ele acabara de me dar não permitiu outra pergunta sequer.

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22

nov
2009

Igreja, um mundo de similaridades

Como é gostoso ser adventista! Eu não entendia patavinas do tal dialeto chichewa, que se falava lá, mas os hinos eram os mesmo, a mesma melodia e cantados a capela com uma vibração contagiante. Claro que minha cor não passou despercebida, de novo! Você se sente um espécime raro, mas tá valendo, nunca fui mesmo de me constranger. O coro deles, com cerca de 15 pessoas canta muito lindo e o resto é tudo igual, como em qualquer igreja. Um sorriso era o passe para a cordialidade e eu amo isto. Era um mundo de similaridades e, mesmo não sabendo a língua, que horas se parecia com inglês e outra com zoeira, nem era mesmo uma barreira legítima. Estávamos todos orando, cantando e louvando: americanos, asiáticos, africanos e europeus. Um só povo de Deus.

 

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22

nov
2009

Constante exploração

Fomos em um safári, afinal não ir num destes é como ir ao Rio e não ver o Cristo Redentor. Pois bem, para melhorar, fomos em dois. Vários animais que não sei o nome, mais elefantes, rinocerontes, hipopótamos e girafas. Ah, tinha também lindos  veadinhos. Ok, podem me dizer que já viram isto aí no Brasil, no zoo mais próximo, mas vê-los em seu próprio ambiente, soltos, caçando, comendo e tal é muito mais emocionante. Sonhava em ver um leão e fugir correndo dele, contudo a desinformada aqui não sabia que o rei da selva é comum no norte e tem alguns perdidos na África do Sul. Ô santa ignorância. Mas aposto que você também não sabia! (hehe) Aqui tem muito indiano, asiático e europeu. São eles os donos das riquezas do continente africano. Descobri que a pobreza é induzida, pois o continente é muito rico. Isto dói. São pessoas que continuam suas colônias de exploração e escravidão, disfarçadas de negócios e investimentos globais. Aqui nesta região do Malawi tem imensas plantações de chá mate, dos ingleses e indianos que usam mão de obra quase escrava para enriquecer e vender o produto para outros países. O comércio é deles, a indústria é deles, as lavouras são deles. Só não é deles o respeito com o nativo. Agora me diga, você é branco  e vem para um continente onde todas as pessoas são negras. Onde a cultura é negra e você vai querer ser preconceituoso e pedir assento separado dos negros? Oras, vai embora para o seu país de brancos então, o espaço é deles, dos africanos! Estou revoltada com o preconceito racial que nunca pensei existir na África - exceto pelo conhecido apartaid da África do Sul. É algo desumano, irracional e lamentável, mas eles aceitam. Aí o trabalho missionário, como este hospital centenário entra para suprir as carências que nem o próprio povo quer ver, o próprio governo abandona seus iguais. Agora entendo o valor de um missionário, com cabeça e corações cheios do amor cristão.

 

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22

nov
2009

Costumes

Logo que chegamos e visitamos algumas casas achei o máximo: eles têm empregadOs domésticos. Isto mesmo, homens! As mulheres cuidam da labuta de suas próprias casas e os homens trabalham na casa dos brancos e outros ricos negros. Cozinham, limpam, fazem horta para os patrões. Adorei! E como cozinham bem! Mas este não foi o que me chocou, num país onde 12% da população tem Aids e a expectativa média de vida não passa muito dos 35 anos um costume milenar me deu náuseas. As meninas, assim que menstruam pela primeira vez são levadas para "especialistas", geralmente velhos, que lhes tiram a virgindade, para que os maridos, por sua vez, não tenham trabalho depois. E vá achar estranho pra ver. No hospital, cerca de 80% dos pacientes são aidéticos e recebem a notícia do exame com a mesma normalidade que nos parece ouvir: você tem gripe! Assim que chegamos um home de trinta e poucos anos morreu por conta de uma extração dentária mal feita em algum lugar. Procurou o hospital com o rosto já deformado por uma septicemia, mas não agüentou uma semana. Tinha HIV. Isto é clássico por aqui e por conta da infidelidade conjugal, tanto de homens quanto de mulheres. Num lugar onde a única e mais vibrante atividade social é beber refrigerante na vila e onde a globalização e a mídia ainda não chegaram com tanta força, sexo é mais constante distração. Seja com seu cônjuge ou com outro mais disponível. É assim mesmo, minha gente. O Malawi não é o país mais da África, mas não fica longe. Pelo que ouvi, está em segundo ou terceiro lugar. A Somália, que preenche o imaginário africano de muitos brasileiros, é que ocupa a nada honrosa posição. Mas a distância de um ou outro é tão irrelevante quanto a posição dos cinco primeiros na tabela do brasileirão. Basta um ano ruim para a posição se inverter. Chega a ser engraçado o povo com terno e gravata, doados, e descalços. Alguns tem apenas uma única roupa e uma panela para cozinhar a tal da maisena que vira um bola semelhante a um pão. Não tem gosto de nada, não gostei. Daí fazem molho com tomates ou outro vegetal e comem como o nosso arroz com feijão. Saneamento e nutrição são coisas muito desconhecidas por aqui. Mais uma explicação para a expectativa de vida tão baixa. Hello, isto é África!

 

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22

nov
2009

Chegada

O começo da viagem para o Malawi foi algo meio... bom, a porta do avião tinha tantas camadas de tinta que pensei que não fecharia. Ademais, o clima era tenso pelo nível da aeronave, mas até aí tudo bem. Só notamos que conforme o país já ia piorando a coisa. Confesso que como estava meio decepcionada com a sujeira e corrupção de Moçambique, já comecei a tratar a todos sem o típico sorriso turista. Era tudo muito seco. Mas me equivoquei. O aeroporto do Malawi é algo assustador, todavia ninguém tentou nos extorquir, como aconteceu até na saída de Maputo. O inglês é uma mistura de sotaque britânico com crioulo então é meio difícil de entender, mas vamos que vamos. Na saída o Fernando Rossi, voluntário no hospital de Malamulo, aqui, natural do Brasil, mas que estuda medicina na Argentina, estava para nos esperar. De cara a cidade de Blantyre ofereceu outra impressão: organizada, limpa e tentando caminhar para uma modernidade ocidental que não choca os de fora. No centro desta cidade há uma clínica e um hospital adventista, mas queríamos mesmo ver o de Malamulo (ainda vou descobrir o que significa isto) que fica no povoado de Makwasa. Tudo aqui é povoado. Tem apenas umas cinco ou seis cidades, o resto é vila. Gente, é bem o que eu imaginava da África. Casas simples com tijolos de barro que eles mesmos fazem e um teto de palha. Mulheres com seus filhos nas costas e um mundo na cabeça e, apesar da extrema pobreza, tudo muito limpo, acredita? Os quintais são bem varridos e como não consomem quase nada além de uma massa de maisena com molhos, não produzem lixo. Os restos orgânicos de frutas e folhas são queimados e o mau cheiro é apenas por conta da fossa e um banheiro bem, como vamos dizer, hehe, rústico. É uma cabaninha do lado de fora de casa feito com palha. Mas eu que conheço o sertão nordestino, não senti a  diferença. Na Bahia de minha infância também era assim. É mais ou menos uma hora da cidade e do aeroporto até a vila onde está o hospital e só falar o nome do Hospital de Malamulo para que as portas se abrem para você, pois este foi o primeiro hospital do país, há mais de cem anos. Os adventistas são respeitados por isto. O local é muito agradável e dá até uma frustração, pois pensamos que ficaríamos numa cabana caindo aos pedaço e nada. As casas dos funcionários são grandes e confortáveis, numa típica vila adventista onde todos se conhecem e se ajudam, pois a maioria vem de fora. Estamos na casa de uma dentista mexicana, a Blanca, que vive com sua filha a Lety, de oito anos. Elas estão aqui há dois anos e ficarão mais quatro ajudando na clínica da cidade e do hospital aqui do interior. Acho que fome não passaremos. Penso até que é possível engordar na África!

 

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19

nov
2009

Diferenças...

Estamos no aeroporto de Joanesburgo, na África do Sul, uma país muito civilizado e com pessoas educadíssimas. Por aqui a língua oficial é inglês, mas tem muito francês por tudo quanto é parte. É engraçado como as culturas convivem no mesmo espaço. Já enjoamos de ver mulheres de burca, mulçumanos, hindus e outros tantos com vestimenta e comportamento bem diferentes dos nossos. Sair um pouco do nosso mundinho ajuda a entender e tolerar o que nos é diferente. Em Maputo, por exemplo, até por causa da memória de guerra, as pessoas são muito agressivas e tentam te extorquir o quanto dá. No aeroporto é uma coisa. O fato de ser branco também ajuda, ou prejudica, já que eles foram dominados  por brancos e agora acham que têm o direito de tirar de volta. Chega a dar raiva. Uma portuguesa contou como era na época da dominação, inclusive em asseio e organização. Lá tudo é caótico e sem uma lógica para nós. A lei que julgamos lei tem vários pesos e medidas e sempre contra brancos. Agora entendo como é duro o preconceito. Bom, daqui a pouco sai o vôo para o Malawi. Por aqui tudo tem que passar por Joanesburgo, incrível a confusão da malha aérea no continente africano. É só olhar o mapa para ver como teremos que fazer uma volta de Moçambique para o Malawi. Mas...

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18

nov
2009

Educação que salva

Hoje foi nosso último dia em Moçambique, amanhã vamos para o Malawi, que segundo consta é mais pobre que aqui. Bom, de pobreza e miséria estou vacinada. Esqueci de contar, mas sabe aquele calor africano? Ou trouxemos o frio de Curitiba ou sei lá o que deu no tempo. Tá um frio danado. Hoje visitamos a Escola Adventista da Liberdade que é maior que a de ontem e num bairro mais "nobre" da cidade. São mais de 200 alunos que recebem educação de primeira linha com um trabalho árduo das missionárias.  O fato das professoras não terem formação também é que complica tudo, pois são cegos guiando outros, gente!

Como eu falei anteriormente, eles cozinham em fogareiros no chão e sonham com fogão. Aqui custa cerca de R$ 1.400,00 e precisam de mais dois. Assumi o compromisso de arrecadar uma graninha aí no Brasil para este fim. Então pessoal, vamos juntar um pouquinho, aquele dinheirinho do lanche no final de semana para ajudar aqui. Assim que chegar eu digo como depositar, ok?! Um pouquinho de cada um é muito pra eles. Esta história de inclusão também é balela, sabia? A internet por aqui custa o equivalente à um salário mínimo, gente, muito caro para a realidade local e democracia e justiça são utópicas. Esqueça os padrões americanos!

Eu fico impressionada como é tão fácil ajudar o povo daqui. Ontem a mulher da escola me dizia que não tinham pilão para moer amendoim, na escola. Cada vez que fazem a comida típica têm que sair na vizinhança pedindo emprestado o pilão. Sabe quanto custa?? Cerca de 20 dólares! É, gente falta tudo mesmo. Na escola das Marrocas falta vidro nas escolas, cozinha, cadeiras e carteiras para as crianças e o básico de uma escola. Claro, ter uma escola já é uma conquista e tanto, mas... é a primeira vez que tem escola em Maputo, pode?? E só faz dois anos. São quatro no país todo, incluindo o seminário de Beira. A educação no país é programada para bestializar e alienar e nossa filosofia está aqui para isto: informar e transformar. Lindo!

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